• Ariani Baggio

Tratamento Fisioterapêutico em Pacientes com Incontinência Urinária Pós-Prostatectomia Radical

Atualizado: 5 de Ago de 2020



O tratamento conservador fisioterápico compreende a terapia comportamental, reabilitação do assoalho pélvico, reeducação postural e terapia medicamentosa. A fisioterapia representa o tratamento conservador alternativo e eficaz para a terapêutica da Incontinência Urinária, em decorrência da melhora dos sintomas com menos efeitos colaterais. No entanto, o tratamento da Incontinência Urinária pós-prostatectomia depende do seu mecanismo, da sua importância e do tempo pós-cirúrgico.


FISIOTERAPIA UROLÓGICA


Esta intervenção tem por finalidade reforçar os músculos que compõem o assoalho pélvico através dos recursos disponíveis, com o objetivo de conscientizar o paciente sobre o controle da sua micção. Desta forma, consegue-se otimizar significativamente o tempo da recuperação da continência e, por conseguinte, melhora a qualidade de vida dos indivíduos prostatectomizados. Contudo, para se obter os efeitos desejados no tratamento fisioterapêutico, alguns estudos preconizam que o mesmo deva ser iniciado logo após a retirada da sonda vesical, pois se observa que esse tratamento torna-se mais efetivo durante os primeiros quatro meses após a intervenção cirúrgica e, desta forma, oferece um retorno precoce da continência urinária. O protocolo de tratamento fisioterapêutico utilizado nos pacientes atendidos com diagnóstico clínico de incontinência pós-prostatectomia, é constituído da terapia comportamental, eletroterapia, terapia manual, cinesioterapia/reeducação postural e exercícios domiciliares, os quais são utilizados combinados entre si ou associados a exercícios com bola suíça e ginástica perineal. No exame físico, o profissional avalia a competência esfincteriana através dos testes de força muscular, alterações posturais, cicatrizes presente na região abdominal e no assoalho pélvico que possam interferir na competência desta musculatura. O tratamento ocorre duas vezes/semana, com duração de 40 minutos cada sessão, num período de 6 meses, totalizando 48 sessões. A cada 10 sessões os pacientes são reavaliados para progressão do tratamento. Os pacientes que não obtêm êxito com o tratamento são reencaminhados ao médico assistente em busca de outra opção terapêutica. Os pacientes que se tornam continentes, ou têm uma melhora significativa dos sintomas, recebem alta com orientação para retornar ao médico assistente, manter os exercícios domiciliares no tempo programado e voltar ao Ambulatório de Fisioterapia para o seguimento clínico (1, 3 e 6 meses, 1 ano e, a partir, anualmente por período de 5 anos).


PROTOCOLO


A terapia comportamental (TC) visa esclarecer o paciente sobre o funcionamento da bexiga e dos esfíncteres, instruir quanto aos hábitos de ingestão líquida e evitar substâncias que possam influenciar a diurese ou irritar a bexiga. Em alguns casos, torna-se necessário estabelecer micção programada, instruir na realização de exercícios do assoalho pélvico domiciliares e preencher um diário miccional, o qual fornece dados referentes ao intervalo miccional, volume urinário diário, capacidade vesical média, presença de perdas urinárias, urgência, noctúria e polaciúria, além dos hábitos hídricos, os quais podem precisar de correção. Após análise do diário miccional de 24h, a Terapia Comportamental (TC) é instituída através do calendário miccional (micção programada), restrição alimentar e hídrica e, quando necessário, treino de fechamento perineal aos esforços abdominais e treino de inibição reflexa da micção quando a perda urinária for relatada durante os esforços ou urgência, respectivamente. Para planejar o treinamento vesical do paciente, leva-se em consideração seu estilo de vida como: horários, condição médica, dieta, atividade física, etilismo, ocupação, tabagismo e uso de medicamentos, buscando facilitar a adaptação deste paciente à terapêutica.


A terapia manual é realizada com o paciente deitado em decúbito lateral, através do toque retal ou externamente ao períneo. A técnica inclui massoterapia longitudinal, transversa e compressiva; alongamento manual das fibras musculares; reflexo do estiramento/potencialização; contração voluntária do paciente no intuito de “apertar” o dedo do terapeuta contra a parede retal; aplicação de resistência manual à contração muscular com intuito de promover o ganho de força, melhorando a endurance das fibras musculares. Quando não existe uma contração voluntária, a terapia manual tem o objetivo de melhorar a propriocepção perineal através de reflexos miotáticos que possibilitam o aprendizado da mesma. sessão.


Quando a contração perineal se torna efetiva, mas o paciente mantém queixa de perda urinária relacionando-as, dentre outros, com as atividades de vida diária (AVD’s) e as atividades instrumentais de vida diária (AIVD’s), é introduzida a ginástica hipopressiva que engloba relaxamento, alongamento e exercício perineal associado à respiração diafragmática e apnéia, conforme a capacidade de cada paciente.


Os exercícios domiciliares otimizam a cura, reduzem o edema quando presente, estimulam a circulação e aliviam a dor. Têm ampla utilização clínica e alguma evidência de melhora da sintomatologia. Os mesmos são ensinados aos pacientes durante as consultas, a partir do momento em que se percebe o início da percepção perineal deste indivíduo. É constituído de quatro fases, as quais são impressas e entregues ao paciente logo no início do tratamento, com evolução progressiva. É muito importante conscientizar o paciente da realização destes exercícios para potencializar a eficácia do tratamento.



A Eletroestimulação tem sido usada em pacientes há mais de trinta anos, sendo um importante componente do tratamento da incontinência urinária nos casos de fraqueza muscular, hiperatividade detrusora e alteração da propriocepção perineal, através da contração correta do assoalho pélvico. Para reforço perineal, a eletroestimulação é realizada no canal anal, na região perineal ou centro tendíneo. Os pacientes são orientados a contrair a musculatura anal concomitantemente à passagem da corrente elétrica. O tempo máximo do estímulo de curta duração não ultrapassa os 30 minutos, calculado a partir do tempo de contração fisiológica alcançada na avaliação inicial; a intensidade é graduada de acordo com o limiar de sensibilidade de cada paciente.


Fonte:http://www2.ebserh.gov.br/documents/1975526/2520527/diretriz_17_tratamento_fisioterapeutico_em_pacientes_com_incontinencia_urinaria_pos-prostatectomia_radical.pdf/2df78548-3a87-43e3-9eab-a43800ed536f



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